terça-feira, 13 de outubro de 2009

MOISÉS, O LIBERTADOR


II – A BIOGRAFIA DE MOISÉS (II) – MOISÉS, O LIBERTADOR

- Foram quarenta anos. Quarenta anos não são quarenta dias. Moisés até mesmo desaprendeu a língua egípcia, assim como a própria língua hebraica, vez que vivia entre os midianitas. Cuidava das ovelhas de seu sogro, que era um sacerdote, e já não tinha mais a menor perspectiva de que viria a libertar o seu povo. Não passava de um “peregrino em terra estranha”, mas, quando chegou o tempo, Deus Se apresentou a Moisés no monte Horebe, “o monte de Deus”.

- Estava Moisés a apascentar as ovelhas de seu sogro, quando teve a sua atenção voltada para uma chama de fogo no meio duma sarça, sarça esta que ardia mas não era consumida pelo fogo (Ex.3:2). Moisés, então, tomou a decisão de se virar para lá e ver aquela grande visão. Esta “virada” de Moisés foi o início da terceira e última fase de sua vida. Com 80 anos de idade, Moisés estava pronto para se tornar o grande libertador de seu povo.

- De pronto, vemos que é necessário que o homem se vire para Deus para que possa iniciar uma vida de comunhão com Ele. “Agora me virarei para lá” foi a decisão de Moisés e deve ser a decisão de todo ser humano que quer servir a Deus. Não há como se tornar um líder no meio do povo de Deus sem que se vire para ver o que o Senhor está a mostrar. Necessário é que nos voltemos a Deus, que nos cheguemos a Ele, para que Ele possa Se chegar até nós (Tg.4:8).

- Muitos querem liderar, na atualidade, porque entendem ter capacidade ou porque são escravos do poder, do desejo de mando. Estes, por se acharem superiores, jamais serão líderes abençoados por Deus, porque não têm a humildade de se virarem para Deus, de se voltarem para Ele. Outros, embora tenham sido chamados pelo Senhor, infelizmente, ao longo de seu ministério, também se deixam envaidecer e não se voltam mais para o Senhor. Aprendamos esta lição com Moisés: a liderança começa quando nos viramos para onde está o Senhor.

- Mas, além desta importante lição, Moisés também nos mostra que um líder deve, antes de mais nada, ser um grande observador, estar sempre vigilante e, mais do que isto, perceber nas pequenas coisas as grandezas de Deus (Zc.4:10). Depois de quarenta anos no “curso do deserto”, Moisés pôde ter a sensibilidade para perceber uma sarça arder no monte Horebe e verificar que esta sarça ardia mas não se consumia.

- Num deserto, ver uma planta tão insignificante como a sarça pegar fogo era uma visão corriqueira, sem qualquer importância, à primeira vista. Com efeito, a sarça é uma planta espinhosa da família das febáceas, do gênero acácia, aparentada com a roseira, de pequena estatura. No entanto, Moisés pôde perceber que o fogo fazia a sarça arder mas não a consumia e que isto, apesar da insignificância da planta, era uma “grande visão”. O líder deve ser alguém, portanto, que saiba ver, nas pequenas coisas, a grandeza da presença de Deus. Sem esta sensibilidade espiritual, não se pode liderar o povo de Deus!

- Quando Moisés se dirigiu para ver a “grande visão”, o Senhor Se dirigiu a Moisés pelo seu nome e Moisés respondeu a este chamado. Imediatamente, Deus mandou que Moisés tirasse os seus sapatos porque o lugar onde estava era terra santa (Ex.3:4,5). Nesta simples passagem, vemos algumas lições importantíssimas a respeito da liderança no povo de Deus: o líder deve ser chamado por Deus. Na obra de Deus não há lugar para oferecidos, mas somente para aqueles a quem Deus chama. Deus chamou a Moisés e pelo seu nome.

- A segunda lição que aprendemos nesta passagem é que Deus chama, mas deixa ao homem a liberdade de atender, ou não, ao seu chamado. Moisés teve de responder “Eis-me aqui” ao Senhor, para que o Senhor continuasse a dialogar com Ele. Deus fez o homem livre (Gn.2:16) e respeita esta liberdade de o homem atender, ou não, ao Seu chamado.

- A terceira importante lição que aprendemos nesta passagem é que não é possível a comunhão com Deus e o serviço sem a santidade. Moisés precisou tirar os seus sapatos dos pés porque o lugar onde estava era terra santa. A santidade do lugar não era inerente ao monte Horebe, mas, sim, resultado da presença de Deus naquele local. Onde Deus está, há santidade e para nós nos aproximarmos de Deus faz-se necessário que nos santifiquemos, que nos tornemos santos, o que somente é possível se tivermos nossos pecados perdoados, o que ocorre quando aceitamos a Jesus como nosso único e suficiente Salvador.

- Muitos têm se esquecido que a santificação é uma necessidade para que venhamos a ter comunhão com Deus e para que possamos ser utilizados na Sua obra. Não nos iludamos: sem a santificação, ninguém verá o Senhor (Hb.12:14). A recomendação bíblica é que os santos se santifiquem ainda (Ap.22:11). Lamentavelmente, muitos são os que, na atualidade, têm se descuidado deste requisito indispensável para a salvação e têm participado da “abominação da desolação no lugar santo” (cfr. Mt.24:15), uma das características do nosso tempo.

- Deus, então, Se identifica para Moisés, dizendo ser o Deus das promessas feitas a Abraão, Isaque, Jacó e que tinham sido compartilhadas a Moisés, na sua tenra infância, pelos seus pais. Vemos a importância da educação doutrinário-bíblica no lar, pois foi através dela que Deus Se começou a manifestar a Moisés. Deus, então, mostra-Se como sendo o Deus que ouve o clamor do Seu povo, não um Deus ausente, que não se importa com a sua criação, como pintam os deístas, tão abundantes na atualidade, mas um Deus presente, que Se compadece do homem e quer ajudá-lo e salvá-lo. Deus, então, fala a Moisés que ele fora escolhido para livrar o povo de Israel do Egito.

- A objetividade divina revela-se aqui de forma bem clarevidente. Deus foi direto ao assunto, sem rodeios. Moisés havia sido escolhido para livrar os filhos de Israel do Egito. Era esta a missão de Moisés: livrar o povo do Egito e levá-lo para uma terra que manava leite e mel, terra então ocupada pelo cananeu, heteu, amorreu, perizeu, heveu e jebuseu (Ex.3:8). Deus continua o mesmo, não muda e, por isso, ao chamar alguém, diz-lhe exatamente o que deseja que ele faça no meio do Seu povo. Nosso Deus não é Deus de confusão! Por isso, não podemos admitir os “chamados” que não sabem o que querem nem o que devem fazer na igreja.

- Ao receber esta incumbência, Moisés sentiu-se impotente. Deu início a uma série de obstáculos para a tarefa. Muitos vêem nestes argumentos de Moisés uma tentativa de escape, uma recusa ao chamado divino. Embora respeitemos este entendimento, dele não compartilhamos. Parece-nos que, antes de uma recusa ou de uma tentativa de esquivar-se, Moisés denuncia um novo sentimento, resultado do seu “curso do deserto”. Em vez do homem violento, cheio de si, prepotente de quarenta anos atrás, que achava que suas habilidades e posição eram suficientes para libertar o seu povo, vemos um homem que se sente impotente, fraco e sem quaisquer condições de empreender esta tarefa. Moisés estava, definitivamente, no ponto de ser usado por Deus: considerava-se ninguém, um fraco e é este tipo de pessoa que está em condições de se tornar integralmente dependente do Senhor e, em virtude disto, poder se tornar um forte nas mãos de Deus (II Co.12:10).

- Moisés reconhece diante do Senhor a sua nulidade: “Quem sou eu que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? “(Ex.3:11). Moisés dá um passo importante para se tornar líder: elimina o seu “eu”. Ah, se muitos líderes no meio do povo de Deus tomassem esta decisão de anular o seu “eu” e compreender que sem Jesus nada pode ser feito (Jo.15:5 “in fine”). Se dissessem “quem sou eu”, teriam boa parte dos problemas que hoje enfrentam resolvidos. Foi por ter achado que era ninguém que Moisés, antes de criar um obstáculo, credenciou-se para ser o libertador do povo de Israel.

- Deus, então, prometeu que estaria com Moisés e que a prova disto é que o povo serviria a Deus no monte Horebe, também chamado Sinai (nome que vem “seneh”, que, em hebraico, significa “sarça”). Como podemos verificar, portanto, a maior prova de que Deus está com um líder é o fato de o povo servir a Deus. No Sinai, Israel fez um pacto com Deus, aceitou receber a lei (Ex.19:3-8) e esta foi a confirmação de que Moisés era um líder chamado por Deus e que havia libertado o povo do Egito. Um líder é eficaz, ou seja, “que tem a virtude ou o poder de produzir, em condições normais e sem carecer de outro auxílio, determinado efeito”, “que executa, obra, que leva a cabo, poderoso”, na obra de Deus, quando o povo serve a Deus, quando aceita receber o seu senhorio.

- Infelizmente, na atualidade, muitos têm se preocupado em se mostrar como líderes através de números, da quantidade de pessoas que freqüentam as reuniões no templo ou nas casas, de pessoas batizadas nas águas, de contribuintes e outros índices, esquecendo-se, porém, que o sinal da liderança está no serviço do povo, ou seja, na adoração do povo a Deus, na vida de santidade que tenham os liderados. Foi este o sinal que Deus, que não muda (Ml.3:6), deu a Moisés como prova do seu chamado.

- Mas, além de se considerar ninguém, Moisés quis saber quem era Deus. Como se apresentar diante do povo sem, ao menos, dizer quem o estava enviando? Moisés, ao querer saber o nome de Deus, demonstrou querer ter maior intimidade com o Senhor, conhecer-Lhe o caráter. O Senhor identificou-Se para Moisés, dizendo ser “Yahweh” – EU SOU O QUE SOU. Para ser líder, Moisés percebeu que não só era necessário reconhecer que nada era, mas também era necessário saber quem Deus era. O conhecimento do nome de Deus, saber quem Deus era, constituía-se no primeiro passo para que pudesse ser um instrumento nas mãos do Senhor.

- Deus prontamente deu a conhecer a Moisés o Seu nome, numa prova de que tinha Moisés razão. Muitos, porém, na atualidade, querem liderar o povo de Deus, querem servir ao Senhor sem conhecê-lO, sem sequer saber quem Ele é. Necessitamos conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os.6:3). Conhecer a Deus não é apenas ter domínio intelectual de Sua Palavra, mas, sobretudo, ter com Ele intimidade, deixar-se dominar pelo Senhor, estar envolvido como a erva é envolvida pela chuva abundante. Muitos, porém, ouvirão aquela dura palavra do Senhor no dia do juízo, quando, apesar de tantas “atividades”, serão tratados como pessoas que jamais foram conhecidas por Deus (Mt.7:23). Para servir a Deus, é preciso conhecer ao Senhor e ser dEle conhecido (Jo.10:14).

- Mas, após ter Se identificado, Deus mandou que Moisés fosse até o povo de Israel e se apresentasse a eles, bem como divulgasse a mesma mensagem que acabara de receber (Ex.3:15-22). O líder não é alguém que deva guardar para si a mensagem divina e a reter, divulgando-a conforme as suas conveniências. Mesmo na época de Moisés, em que ainda Deus não Se revelara completamente na pessoa de Jesus Cristo e quando ainda não estava derramado o Espírito Santo no povo, Deus não permitiu que o líder fosse um guardador de segredos. Deus queria ser conhecido de todo o povo e, embora Moisés tivesse sido escolhido para liderar o povo e houvesse os anciãos, também dotados de alguma parcela de autoridade, todo o povo deveria saber quem era Deus e qual o Seu propósito.

- Nos dias difíceis em que vivemos, muitos se dizem “líderes” no meio do povo de Deus e “portadores de segredos”, que só são revelados em reuniões fechadas, apenas a alguns, como se Deus não desejasse ser conhecido de todo o Seu povo. Tais “encontros”, “pré-encontros” e tantas invencionices são completamente sem qualquer respaldo bíblico e estão totalmente fora do propósito de Deus, que é o de que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4). Moisés nada deveria omitir aos anciãos e ao povo do que lhe estava sendo revelado, e isto no tempo antigo. Como, pois, admitir “portadores de segredo” e “reuniões secretas” em plena dispensação da graça? Fujamos destas heresias!

- A primeira tarefa do líder é o de divulgar a Palavra de Deus. Foi a primeira coisa que o Senhor mandou que Moisés fizesse. Sem o ministério da palavra, não há possibilidade de se exercer qualquer ministério no meio do povo de Deus. O líder comprometido com o Senhor, chamado por Deus e que se dispõe a obedecer-Lhe é, antes de mais nada, alguém que dá prioridade à Palavra do Senhor. Disto, aliás, nos dão exemplo os apóstolos logo no limiar da história da Igreja (At.6:2,4). Uma das formas de discernimos quem são os verdadeiros homens enviados por Deus (“enviado” em grego é “apóstolos”) e os que são oferecidos na igreja, qualidade que o Senhor espera que tenhamos (Ap.2:2), é o comportamento que têm em relação à Palavra. Se dão prioridade à pregação e ao ensino da Palavra, são homens enviados por Deus. Se, porém, fogem da Palavra, escondem-se atrás de técnicas de pregação, de emocionalismos, de louvorzões, tenhamos a certeza de que estamos diante de charlatães, de falsos ministros, de lobos cruéis que não perdoam o rebanho (At.20:29). Afastemo-nos deles!

- Mas, imediatamente após lhe ter sido ordenado que pregasse a Palavra, Moisés apresentou uma dificuldade ao Senhor: a incredulidade do povo. Sem dúvida, tinha razão Moisés ao levantar este problema, pois aquela geração, realmente, não entrou na Terra Prometida por causa da sua incredulidade (Hb.3:19). A pregação não resulta automaticamente em fé. Uma coisa é pregar; outra, crer. Devemos pregar a Palavra, mas devemos saber que muitos não darão ouvidos ao que for pregado. A fé depende do livre-arbítrio de cada um e não será o pregador, mesmo enviado de Deus, que promoverá a salvação ou o nascimento da fé na vida de cada ouvinte. Por isso, façamos a nossa parte, pregando a Palavra, deixando o convencimento com o Espírito Santo de Deus.

- Mas, diante desta dificuldade apresentada, o Senhor diz a Moisés que ele faria sinais e maravilhas, a fim de que o povo pudesse ter motivos adicionais para crer. Os sinais serviriam, assim, de confirmação da Palavra de Deus, o que continua a ocorrer na atual dispensação (Mc.16:20). Não podemos inverter a ordem estabelecida por Deus: Palavra e, depois, sinais que confirmam a Palavra. Se corrermos atrás de sinais, correremos sério risco de ser enganados pelo adversário de nossas almas (Mt.24:24,25).

- Deus mandou que Moisés jogasse a vara que tinha em suas mãos e ela se tornou em cobra. Depois, mandou que Moisés pusesse a sua mão no peito e ela se tornou leprosa. Estes dois sinais seriam suficientes para superar a incredulidade do povo e, se mesmo assim, os israelitas não cressem, o Senhor prometera a Moisés que tornaria as águas do rio Nilo em sangue (Ex.4:1-9).

- É interessante observar que Deus prometeu fazer sinais com aquilo que Moisés tinha à sua disposição, ou seja, a vara que estava em suas mãos (e, por quarenta anos, aquela vara tinha estado à disposição de Moisés…) e as próprias mãos de Moisés. Deus faz coisas extraordinárias mas quer que nos utilizemos daquilo que já temos, que Ele nos concedeu para que as maravilhas se realizem. Deus não precisa mas faz questão de nossa participação e de nosso esforço na demonstração do Seu poder.

- Moisés, então, pôs uma nova dificuldade: a comunicação. Fazia quarenta anos que estava no deserto, já não sabia se expressar corretamente seja na língua egípcia, seja na língua hebraica. Era este o sentido da expressão de que não era eloqüente, “pesado de boca” e “pesado de língua” ou, na tradução da Bíblia Hebraica, “fala lenta” e “língua trêmula”. Temos aqui mais uma importante lição dada por Moisés: o líder tem de ter a preocupação de se comunicar bem com o povo. É indispensável que haja uma sintonia entre o líder e os liderados. Sem comunicação, não pode haver comunhão e sem comunhão, não há como se construir uma união onde o Senhor possa Se manifestar e realizar a Sua obra (Sl.133).

- Se o papel do líder é, principalmente, o de falar a Palavra de Deus, divulgá-la e ensiná-la, como fazer isto sem que se tenha uma mesma língua que os liderados? Como realizar o ministério da Palavra sem uma comunicação eficaz? Muitos têm fracassado ou, pelo menos, prejudicado seu ministério porque não se importam em ser compreendidos pelos liderados, porque não têm qualquer preocupação em estabelecer um canal de comunicação.

- Deus, diante desta nova dificuldade apresentada por Moisés, em primeiro lugar, mostrou que Ele é suficiente. Disse que Ele fez a boca do homem, como também o mudo e o surdo. A obra é de Deus e o Senhor não precisa de técnicas humanas para poder fazer valer a Sua vontade e o Seu senhorio. Deus havia resolvido livrar o Seu povo n Egito e isto seria realizado. Esta observação do Senhor para Moisés é muito atual: quantos não têm tentado substituir o Espírito Santo na obra de Deus por “planos”, “visões”, “estratégias” e “técnicas”? Entretanto, nada disso pode substituir o próprio Deus, pois Ele, e Ele só, é o Senhor!

- Ao mesmo tempo em que o Senhor mostra a Moisés que as técnicas humanas nada significam, nada representam ante o poder de Deus, não considerou que a preocupação de Moisés fosse de todo vã. Moisés não poderia confiar nas habilidades humanas, mas tanto era pertinente a sua preocupação que Deus disse que iria atendê-lo, fazendo com que Arão, irmão de Moisés, se tornasse o seu porta-voz, o seu canal de comunicação com o povo de Israel. No entanto, o Senhor deixou bem claro, o vaso que Ele havia escolhido para a libertação era Moisés e não algum outro.

- Moisés, então, diante de todas as soluções dadas por Deus às dificuldades por ele apresentadas, rendeu-se ao chamado divino e se apartou de seu sogro, voltando para o Egito, com a sua família (Ex.4:20). No meio do caminho, porém, houve uma ocorrência que quase resultou em tragédia, ocasião em que os filhos de Moisés foram circuncidados (Ex.4:24,25). Moisés, havia se rendido ao Senhor, assumido a sua identidade hebraica, mas não tinha, ainda, circuncidado seu filho. Não poderia, sem atentar para o pacto que Deus selara com Abraão, iniciar a libertação de seu povo. Primeiro, precisamos governar bem a nossa casa, pô-la de acordo com a vontade do Senhor, se temos um chamado para liderar o povo de Deus (I Tm.3:4,5). Quantos têm sido guindados ao ministério, na atualidade, de modo precipitado, visto que ainda não puseram as suas casas debaixo do senhorio de Cristo.

- Após seu encontro com Arão, Moisés foi e se apresentou ao povo e cumpriu aquilo que Deus lhe havia determinado, anunciando a Palavra de Deus e confirmando a Palavra com sinais. O povo, então, creu e adorou a Deus (Ex.4:30,31). Surgira um novo líder em Israel.

- Depois de ter legitimado sua liderança diante do povo, Moisés, então, inicia a sua missão, indo ao encontro de Faraó, a fim de obter o livramento do povo. O encontro não foi nada amistoso. Faraó desprezou a Moisés e a sua proposta para que deixasse o povo sacrificar a Deus e, como conseqüência deste pedido, afligiu ainda mais o povo, não mais fornecendo palha aos israelitas e ordenando que eles mantivessem a mesma produção de palha (Ex.5:1-19).

- Pela vez primeira, então, Moisés tem a sua liderança questionada. Como o povo só recebera aflição em virtude da atitude de Moisés de querer a libertação do povo, os israelitas começaram a culpá-lo pela situação, pedindo a Deus que julgasse o que estava a acontecer, pois Israel se fizera de “cheiro repelente a Faraó” (Ex.5:20,21).

- A liderança de um servo de Deus fará, sempre, o povo de “cheiro repelente” ao inimigo de nossas almas. O líder genuíno da parte de Deus não tem qualquer comunhão com o pecado e com o mal e, por isso, certamente os seus liderados sofrerão maiores aflições, visto que o inimigo será perturbado, ficará furioso com a atuação segundo a vontade de Deus. Quando nos sujeitamos a Deus, passamos a lutar contra o mal, o inimigo fica incomodado e a sua reação não tarda. Muitos, porém, na atualidade, não querem enfrentar o adversário, permitem que o pecado e a impureza dominem entre os seus liderados e nesta “trégua” com o inimigo, acham que levam alguma vantagem. Infelizmente, não é isto que nos ensina a Bíblia e o que se verá é que estes “pacificadores” estarão sendo envolvidos pela iniqüidade e farão eterna companhia ao adversário no lago de fogo e enxofre.

- Moisés, ante a aflição vivida pelo povo e a rejeição de que foi vítima, foi aos pés do Senhor. Moisés fez a melhor coisa que poderia ter feito: ido ao encontro do Senhor. No momento da angústia, da dor, da solidão, da oposição, quando as coisas parecem estar todas indo numa direção oposta ao que foi prometido por Deus, o servo do Senhor deve correr aos pés do Senhor. “Então tornou Moisés ao Senhor” (Ex.5:22). Que bom quando, nestes momentos difíceis, recorremos a Deus e Lhe pedimos a devida orientação. De onde nos virá o socorro? O socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra (Sl.121:1,2).

- Moisés, no momento desta dificuldade tão grande, demonstrou, também, ter compaixão dos seus liderados. O que lhe doeu não foi a rejeição do povo, a incompreensão, mas a aflição que o povo teve de passar: “por que fizeste mal a este povo?” (Ex.5:22). Um verdadeiro líder é aquele que sente compaixão pelos seus liderados, ou seja, é capaz de sentir aquilo que eles estão sentindo, não demonstrando qualquer interesse próprio ou pensamento em si, mas o bem-estar daqueles que estão sob sua responsabilidade. Moisés, nos quarenta anos do “curso do deserto”, havia aprendido a buscar o bem-estar das ovelhas, a viver em função delas e a sentir o que elas sentiam.

- A compaixão de Moisés era tanta que questiona a sua chamada, não porque duvidasse dela, mas porque ela só havia produzido dor ao povo de Israel. Por causa da chamada de Moisés, o povo estava sendo maltratado e não ocorrera qualquer livramento. Moisés, já no início de seu ministério, mostra que o líder deve amar os seus liderados, não buscar o seu próprio proveito e, se necessário for, anular-se em prol do grupo.

- Deus, então, em resposta à oração de Moisés, mostra-lhe que o livramento viria somente depois que o povo de Israel pudesse conhecer a Deus. Não bastava que Moisés tivesse dito quem era Deus. Deus queria ser conhecido de Seu povo e, para tanto, era necessário que o Seu poder fosse mostrado antes do livramento. Deus queria que Israel se tornasse o Seu povo, que se firmasse um pacto entre Deus e Israel, mas, para tanto, necessário era que Deus Se revelasse a Israel como o único e verdadeiro Deus, como o Senhor de toda a terra. Para tanto, seriam necessários sinais que demonstrassem que Deus era maior do que todos os deuses egípcios, que deuses, aliás, não eram. Foi este, aliás, o sentido das dez pragas, cada uma delas mostrando que o Senhor era o único e verdadeiro Deus e que os deuses egípcios deuses não eram.

- À medida que as pragas ocorriam e os deuses egípcios eram cada vez mais demonstrados falsos, a liderança de Moisés se fortalecia. A prova disto é que, antes da última praga, a dos primogênitos, Deus mandou que Moisés determinasse ao povo que celebrasse, pela vez primeira, a páscoa e todo o povo o atendeu, crendo unanimemente na palavra anunciada por Moisés, confiança que aumentou quando da morte dos primogênitos, a ponto de o próprio Faraó concordar com a saída de Israel do Egito.

- Quando Israel saiu do Egito, Moisés, embora tivesse sua liderança confirmada pelos fatos, não deixou de reconhecer que o senhorio era de Deus. Saindo do Egito, não tomou o caminho que lhe pareceria mais fácil, mas seguiu a direção de Deus. Moisés estava à frente do povo, mas a orientação, a direção era de Deus (Ex.13:17). Que exemplo a ser seguido!

- Quarenta anos antes, certamente não tinha sido este o caminho escolhido por Moisés para fugir de Faraó. Mas, agora, o Moisés que estava à frente do povo de Israel não era, em absoluto, aquele Moisés que escapara das mãos de Faraó. Estava-se diante de um servo de Deus, que sabia que quem deveria dirigir o povo era o Senhor. Temos seguido a direção de Deus ou confiado em nossas habilidades?

- A passagem do mar Vermelho foi um grande teste na vida de Moisés. Embora na direção de Deus, de uma hora para outra, Moisés se viu em uma situação sem saída. Atrás, vinha Faraó e seu exército e, à frente, estava o mar. Moisés, uma vez mais, clamou a Deus, mas o Senhor simplesmente mandou que Moisés dissesse ao povo que marchasse (Ex.14:15). Há instantes na vida do líder em que é preciso que haja uma iniciativa do líder. O Senhor já havia dito a Moisés o que iria fazer (Ex.14:1-14) e, por isso, nada mais cabia a Deus fazer senão esperar a iniciativa do líder e do povo de Israel.

- Um líder deve ter iniciativa, mas uma iniciativa de acordo com a vontade do Senhor. Uma vez Deus tendo dito o que fará, cabe ao líder, que sabe se comunicar com os seus liderados e que se apresenta legitimado por estar na direção de Deus, dar o primeiro passo para que tenha a vitória sobre o inimigo. Moisés levantou a vara, estendeu a mão e um vento fez com que se abrisse um caminho seco no mar. O povo passou e foi seguido pelo inimigo que, porém, foi destruído no mar. Tudo aconteceu para que o povo pudesse ver a grande mão poderosa do Senhor e cressem em Deus e em Moisés, Seu servo (Ex.14:31).

- Em gratidão a Deus, Moisés fez um cântico e cantou com o povo. Cantava a Deus porque o Senhor havia Se exaltado e derrotado os inimigos do povo. Moisés louvava a Deus e, publicamente, engrandecia o nome do Senhor. Não se vangloriara pela posição que estava a ocupar, nem tentou tirar vantagem desta grande vitória para o seu ministério, mas se limitou a engrandecer o nome do Senhor, a mostrar que Deus era o Deus de seu pai, que deveria ser exaltado, que Ele era varão de guerra, que Seu nome era “Eu Sou o que Sou”. Que exemplo de humildade de espírito, que espírito de adoração!

- Moisés ensina-nos, neste cântico, que foi Deus quem despedaçou o inimigo, que Deus é santo, que Deus é o único Deus, que Deus é poderoso, que Deus é beneficente, que Deus é salvador, que Deus é o guia do Seu povo, que Deus é rei e que iria conduzir o Seu povo para a Terra Prometida. Deus é tudo e só Ele deve ser adorado e louvado. Era este o ensino de Moisés, o cântico que ensinou Israel a cantar. Tem sido esta a nossa mensagem aos nossos liderados? Ou será que há muitos “aparecidos de Jesus” atrapalhando a adoração a Deus em nossas igrejas locais?

- Em seu louvor, Moisés exalta única e exclusivamente a Deus e também leva o povo a fazê-lo. Este é o verdadeiro louvor: aquele cujo objetivo e propósito é glorificar o nome do Senhor. Quão diferente deste cântico de Moisés são os “cânticos” da atualidade, que enaltecem o crente, que se voltam única e exclusivamente para o ser humano, deixando de ter como alvo e objetivo a Deus. Não permitamos que este louvor ao homem venha a ocupar espaço em nossas vidas devocionais e em nossas reuniões.

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